Fui demitida após ser mãe : a realidade de muitas mulheres!

Fui demitida após ser mãe

Fui demitida após ser mãe, e no próximo mês completarei dois anos de uma nova vida. Sim, minha vida mudou totalmente, de fevereiro do ano de 2016 até o início de 2018.

Eu havia comprado um carro novo semanas antes. Estava com “mil” projetos para o ano que se iniciava. Incrivelmente eu havia decidido abraçar a minha realidade de mãe, esposa, dona-de-cada.

Eu desejava muito conseguir dar conta de tudo! Mas, eu fui demitida após ser mãe!

Três profissões?

Desde que o Estêvão nasceu até dezembro de 2015 eu enfrentava uma luta comigo mesma acerca da minha vida pessoal e profissional.

Até aquele momento eu não sabia o que deveria ser priorizado. No fundo eu gostaria, muito mesmo, de priorizar meu filho, mas não conseguia fazer isso ficando ausentes 10 horas diárias e ele em uma creche durante este período.

Sem mencionar a vida de mulher, esposa e de “dona-de-casa”. Sim, gosto de cuidar, administrar e enfim saber detalhes da limpeza diária da minha casa, ou ainda saber a quantidade de comida que tem na despensa.

Por incrível que pareça, eu estava quase entrando em colapso, pois não estava conseguindo administrar isso tudo.

Acolhimento

Eu estava exausta. E insatisfeita no trabalho. Até por que não havia reconhecimento profissional e minha função como arquiteta era de certo modo impedida pelo sistema “corporativo”, se é que posso dizer assim, já que trabalhava em uma igreja. Nesta época conheci a página no facebook e o site da Cinthia Dalpino,  Mãe At Work).

MULHERES DEMITIDAS 2

Eu me senti tão leve assim que comecei a ler o primeiro texto escrito por ela. Tivemos grande empatia.

Eu me senti completamente atingida pela missão que ela tinha, que envolvia mães profissionais, as quais o mercado de trabalho as rejeitaram.

Sim, rejeitaram. Desabafei para o mundo com a ajuda da página da Cínthia tudo que até aquele momento somente eu notava (aparentemente).

Fui demitida após ser mãe : realidade de muitas brasileiras

O mundo acha natural, a mãe retornar ao trabalho e simplesmente deixar o filho o dia todo na escola.

MULHERES DEMITIDAS

Até existem escolas integrais.  Eu comecei a questionar por que os empregadores, a sociedade, enfim, ninguém é levado a pensar na situação como ela é.

Eu fui demitida após ser mãe, mas não fui a única, nem a primeira e talvez por isso esta situação seja vista como natural.

TODOS simplesmente a ignoram. Uma criança que nasce, é um futuro cidadão que exercerá o direito de voto no futuro.

Pensando por esse ângulo observei o completo descaso que as empresas dão às mães que necessitam levar filhos ao médico (e com isso faltam ao trabalho), por exemplo.

Ou ainda, as que retornam da licença maternidade e que têm o direito de continuar amamentando (até que o bebê complete seis meses) negado ou dificultado.

Direitos negados

Quando retornei ao trabalho, não pude continuar amamentando. Tive este direito dificultado, de certo modo.

Onde trabalhava não havia local para esse fim. E não havia ninguém disponível para levar o Estêvão até mim (e ainda assim eu iria amamentar em qualquer local).

Com isso tive de dar um jeito. Eu tinha uma hora de almoço, a qual eu aproveitava para ir almoçar. Normalmente eu almoçava no trabalho. Mas para amamentar o Estêvão eu ia até onde ele estava.

E trabalhei normalmente durante o sexto mês de vida dele. A empresa simplesmente “esqueceu” que eu tinha esse direito amamentação (tempo para amamentar, 30 min. por período conforme CLT vigente na época).

Com sete meses, já na creche, era quase que natural Estêvão adoecer em um curto espaço de tempo. E obviamente, eu me ausentava no trabalho para ficar com ele.

Recursos humanos?

Certa vez a responsável pelos Recursos Humanos questionou-me se eu não tinha outra pessoa para ficar com meu filho, já que ele estava doente e eu não poderia faltar ao trabalho.

Inacreditável a coragem que ela teve ao me fazer esta pergunta tão óbvia. Afinal, tive filhos para EU cuidar, não?

Enfim, é uma situação atrelada a muitos culpados. O sistema trabalhista brasileiro não favorece a profissional mãe que deseja trabalhar menos e certamente por produtividade. Lembrando que precisamos trabalhar para viver e não o contrário!

TRABALHAR COMO SE NÃO TIVESSE FILHOS, SER MÃE COMO SE NÃO TRABALHASSE FORA.

Nosso sistema é grandemente influenciado e de certo modo, amarrado também pela nossa cultura. E desmistificar tudo isso leva tempo. O modo de pensar é que precisa ser mudado.

Precisamos induzir às pessoas a questionar, à pensar com detalhes sobre esta situação, não aceitando-a. Ou ainda que seja necessário, que questionamentos sejam feitos e explorados.

VEJA O QUE FAZER QUANDO A LICENÇA MATERNIDADE ACABA E ESTÁ DESEMPREGADA!

A CONTA NÃO FECHA

Nova Vida

Eu demorei a “curtir” minha nova vida. Confesso que agora, após dois anos de todo ocorrido, me sinto mais leve e mais incorporada à minha nova fase.

Não tem preço viver para a família. Talvez hoje eu até conseguisse voltar à antiga rotina e ainda assim, viver para minha família.

Sinto que se a empresa onde eu trabalhava tivesse tido certo grau de humanização para a lidar com a minha realidade (realidade de recém-mãe), tudo poderia ter sido diferente.

Não que eu tenha ficado traumatizada! Mas este foi o modo oportuno que enxerguei a realidade de muitas mães.

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Hellen Xavier Manso

Sou a Hellen, esposa, mãe do Estêvão de 5 anos, dona-de-casa, arquiteta de formação e blogueira por paixão. O blog "integralmente Mãe" nasceu assim que fui demitida (após ser mãe) e neste momento me descobri empreendedora digital e o blog "Integralmente Mãe" nasceu! Desde então, eu busco influenciar as mamães a optarem por melhores escolhas no exercício da maternidade. E ainda a empreenderem em casa ou em qualquer lugar! Por que é somente com esta liberdade que conseguiremos curtir de verdade nossa família e filhos!

Website: https://www.integralmentemae.com

    8 Comentários

    1. Rafaela Silva

      Nossa que história forte. Realmente, quando a minha mãe ficou grávida, também foi dispensada. É ruim as leis trabalhistas ainda. Mas que bom que isso lhe trouxe uma coisa boa, a família de verdade.

    2. Nossa,seu post é uma grande realidade!!!
      Talvez o que falte nas pessoas seja a empatia com as outras.Concordamos super na parte que você falou que o pensamento deveria ser mudado.
      Ficamos pasmas em saber que a mulher colocou seu trabalho em primeiro lugar ao invés de sua família(No caso,no momento,era seu filho).imaginamos como foi difícil,no começo,você se adaptar na sua nova fase de vida,mas ficamos felizes em saber que agora você terá até mais tempo pra ficar com seu filho e sua família

    3. caramba !!! que situação hem , nós mulheres sempre sendo menosprezadas aff passamos por tantas coisas que ate Deus duvida.

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